Textos

Os textos abaixo são de minha autoria ou co-autoria e podem ser baixados e citados livremente, desde que a fonte seja citada. Para cada um deles eu busquei fornecer, na medida do possível: (1) uma “nuvem de palavras” contendo as 10 palavras mais repetidas no texto (o tamanho relativo das palavras no quadro é proporcional ao número de vezes que cada uma delas ocorre no texto); e (2) um parágrafo com indicações sobre conteúdo e informações sobre autoria e publicação.

2010_________________________________

Por uma definição dos processos tecnicamente mediados de associação. Este texto é um exercício teórico em torno da definição de um recorte de pesquisa centrado naquilo que proponho denominar “processos tecnicamente mediados de associação” (ProTeMAs). O argumento central é que a “realidade objetiva dos fatos sociais” pode ser melhor investigada quando a sua base objetiva não é definida antecipadamente pelo pesquisador, mas sim inferida a partir dos rastros deixados pela propagação e reiteração de configurações relacionais. Para esboçar este argumento, autores diversos foram mobilizados em torno do conceito latouriano de mediação técnica. Publicado em: Revista Brasileira de Ciência, Tecnologia e Sociedade 1(2):58-75, 2010.

2009_________________________________

Mito e tecnologia: desencontros e reencontros entre índios e brancos. Este texto é uma reflexão teórica em torno das implicações míticas e xamânicas, para os ameríndios mas também para os “brancos” com quem eles se relacionam, das tecnologias modernas associadas ao “homem branco”. Ele é baseado em uma pesquisa bibliográfica e videográfica sobre o tema, abrangendo a questão do contato com o branco em diversos grupos indígenas da América do Sul. São desenvolvidas no texto as idéias etnograficamente fundamentadas de um retorno do tempo mítico pelo encontro histórico entre índios e brancos, e de um xamanismo tecnologicamente distribuído nas máquinas modernas. Partindo do desencontro entre brancos e índios, resultante de seu encontro histórico, o texto chega em uma possibilidade de reencontro na chave de um duplo devir. Publicado em: Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar 1:46-70, 2009.

Considerações acerca do trabalho imaterial e da produção de valor no capitalismo contemporâneo. Nosso principal objetivo neste texto foi chamar a atenção para as contribuições que a teoria do trabalho imaterial pode trazer para uma investigação crítica ou operatória do funcionamento do capitalismo contemporâneo. No século XIX, Marx se defrontou com os problemas do capitalismo industrial, construindo as bases para qualquer análise consistente e conseqüente do capitalismo. Seria preciso inspirarmo-nos em sua obra para discernirmos, no século XXI, os problemas próprios ao capitalismo pós-industrial, e para sermos capazes de analisá-los de maneira igualmente consistente e conseqüente. É isso que, nos parece, os teóricos do trabalho imaterial vêm tentando fazer com sucesso variável: buscar, com o referencial do materialismo histórico, o futuro que se gesta no nosso próprio presente. Texto escrito em co-autoria com o sociólogo Rafael Alves da Silva (IFCH/Unicamp, CTeMe) e aprovado para participação no XXVII Congreso ALAS (Asociación Latinoamericana de Sociología) – GT 18: “Reestructuración productiva, trabajo y dominación social” – Buenos Aires (Argentina), 31 de agosto a 4 de setembro de 2009.

2008_________________________________

A regra do jogo: desejo, servidão e controle. Tratamos aqui das confusões entre “produção” e “consumo”, “trabalho” e “jogo/lazer/brincadeira”, que motivam o uso de palavras como “prosumidor” e “jogalho”. Com destaque para o caso dos Games – e relacionando-o com os conceitos de Gizmo e Spime propostos por Bruce Sterling –, abordamos questões de controle, interatividade, rastreabilidade, sujeição social e servidão maquínica. Propomos uma reflexão sobre uma espécie de metajogo do capitalismo contemporâneo que transforma todo jogo/brincadeira em trabalho não-pago. Versão em português de texto escrito em conjunto com Laymert Garcia dos Santos (IFCH/Unicamp, CTeMe) para o seminário internacional Novas mídias digitais (audiovisual, games e música): impactos econômicos, sociais e políticos, organizado pelo Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) e realizado em São Paulo no dia 12 de junho. O texto foi publicado em: Fábio Villares (org.). Novas mídias digitais (audiovisual, games e música): impactos políticos, econômicos e sociais. Rio de Janeiro: E-papers, pp.85-104, 2008.

The rules of the game: desire, servitude, control. We deal here with the confusions of “production” with “consumption”, “labor” with “play”, that motivate the use of words such as “prosumer” and “playbor”. Emphasizing the case of Games – and relating it to the concepts of Gizmo and Spime proposed by Bruce Sterling –, we discuss matters of control, interactivity, traceability, social subjection and machinic servitude. We propose a reflection about a kind of meta-Game of contemporary capitalism that transforms every game into unpaid labor. English version of the paper written together with Laymert Garcia dos Santos (IFCH/Unicamp, CTeMe) to the International Seminar New digital media: audiovisual, games and music, promoted by the Institute of Economic and International Studies (IEEI) and realized at São Paulo on June 12th. The paper was published in: Fábio Villares (org.). New digital media: audiovisual, games and music. Rio de Janeiro: E-papers, pp.77-96, 2008.

Parâmetros, tendências e limiares de funcionamento na música eletrônica de pista. Apresento as linhas gerais de uma teoria da música eletrônica de pista (MEP) atualmente em processo de formalização. Por tomar como objeto uma relação funcional abstrata – a relação som-movimento – e não os contextos particulares nos quais ela se concretiza – festas específicas, gêneros musicais, localidades geográficas, grupos sociais determinados, pessoas individuais etc. –, essa teoria é freqüentemente questionada quanto à sua pertinência disciplinar às Ciências Sociais ou suposta ingenuidade política. Pretendo responder a tais questionamentos ao longo da própria exposição da teoria, sendo esta interessada menos em categorizações disciplinares (como se as Ciências Sociais tivessem objetos exclusivos, distintos daqueles das outras ciências) e mais em operacionalizações transversais (assumindo as Ciências Sociais como uma perspectiva a partir da qual é útil investigar qualquer objeto). Texto apresentado no GT 26 – Novos modelos comparativos: antropologia simétrica e sociologia pós-social – do 32o Encontro Anual da ANPOCS, Caxambu (MG), 27 a 31 de outubro de 2008.

When sound meets movement: performance in electronic dance music. This article discusses the problem of performance in electronic dance music (EDM), considering its specificity in the use of technically reproduced sound to promote a non-stop dancing experience. Instead of a schizophonic rupture between performer and audience, EDM is seen to perform a transducive mediation between machine sound and human movement. Publicado em: Leonardo Music Journal 18:17-20, 2008.

A identidade na era de sua reprodutibilidade técnica (entrevista com Eduardo Viveiros de Castro). Entrevista realizada junto com Francisco A. Caminati (IFCH/Unicamp, CTeMe), Fábio M. Candotti (IFCH/Unicamp, CTeMe) e Eduardo Duwe, no Instituto Goethe-S.Paulo, e publicada no número 11 da revista portuguesa Nada.

More than meets the eye: os Transformers e a vida secreta das máquinas. Texto publicado no número 11 da revista portuguesa Nada.

Transe maquínico: quando som e movimento se encontram na música eletrônica de pista. Desde sua emergência histórica em meados da década de 1970, a música eletrônica de pista (MEP) sempre teve como principal objetivo fazer as pessoas dançarem pela escolha criteriosa de músicas dançantes e dos melhores momentos e maneiras para reproduzi-las. Apesar do crescente interesse de pesquisadores de diversas áreas pelo estudo de assuntos relacionados à MEP, nota-se uma certa tendência de reduzi-la a idéias e conceitos forjados para o estudo de estilos musicais que não se baseiam na dança. Este artigo buscará apontar alguns dos problemas trazidos por essa tendência, além de sugerir alternativas a ela, dentre as quais merecerá destaque a relação entre som e movimento no transe maquínico. Publicado em: Horizontes Antropológicos 29:189-215, 2008.

Conhecimento tradicional como patrimônio imaterial: mito e política entre os povos indígenas do rio Negro. Em maio de 2004, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em atendimento a uma solicitação do Iphan, abriu as portas da grande maloca existente em sua sede na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM) para a realização de uma reunião destinada a iniciar uma discussão sobre patrimônio cultural com os grupos indígenas do rio Negro. O pano de fundo da reunião dizia respeito à nova política de registro dos chamados “bens culturais de caráter imaterial”, instaurada pelo Iphan após a promulgação do Decreto 3551/2000. Colaboração com o antropólogo Geraldo Andrello (UFSCar, ISA), publicada em: Ciência e Cultura 60:42-4, 2008.

2007_________________________________

Um duplo devir: quando a música eletrônica encontra o xamanismo e o xamanismo encontra a música eletrônica. Apresento neste texto o trajeto percorrido durante minha pesquisa de doutorado sobre as relações entre xamanismo e música eletrônica. A pesquisa focalizou o discurso nativo da música eletrônica de pista no Brasil e fontes etnográficas sobre xamanismo amazônico, mas também considera casos de outras partes do mundo. Primeiro apresentarei aquilo que chamei de “discurso nativo” acerca das relações entre música eletrônica e xamanismo, isto é, aquilo que as pessoas diretamente envolvidas com a produção, distribuição e consumo de música eletrônica de pista dizem sobre o potencial xamânico desse tipo de música. Depois abordarei aquilo que chamei de o “devir máquina” do xamanismo tradicional, ou seja, situações de contato em que xamãs indígenas, diante de máquinas e tecnologias modernas, afirmam encontrar nelas materializações mais ou menos completas de suas próprias capacidades, funções e técnicas rituais. Em seguida apresentarei algumas qualidades do transe maquínico da música eletrônica, considerando o discurso nativo e também o acadêmico. Por fim, apresentarei aqueles que se revelaram os princípios funcionais e parâmetros elementares da máquina sonoro-motora que parece corporificar o xamanismo distribuído da música eletrônica de pista. Texto aprovado para participação no simpósio “Psicoativos, xamanismo, religião, festa e política: perspectivas cruzadas” das XIV Jornadas sobre Alternativas Religiosas en América Latina: Religiones/Culturas, Buenos Aires, 25 a 28 de setembro de 2007.

Sociologia da imagem corporal. A abertura permanente da imagem corporal ao outro, as complexidades de sua ontologia processual e relacional, estavam no cerne da Sociologia da Imagem Corporal de Paul Schilder. Os desenvolvimentos recentes das pesquisas sobre o papel do corpo nos processos de socialização comprovam cada vez mais a força de idéias que ele apenas intuiu, sem ter como expor e comprovar adequadamente. O objetivo deste texto foi mostrar como tais intuições podem ser aproveitadas em novas pesquisas sem necessariamente reproduzir alguns pressupostos problemáticos que Schilder ainda compartilhava com seus antecessores e contemporâneos. Trata-se, em poucas palavras, de chamar a atenção para o papel ativo do outro na construção da imagem corporal. Não simplesmente de um “outro sujeito”, “outra pessoa”, “outro indivíduo”, “outro corpo” etc., mas sim de um “outro para outrem”: outra forma de alteridade ainda insuspeitada e desconhecida, abertura para outros mundos possíveis que nos transformam e dos quais nós apenas poderemos conhecer aquelas partes atualizadas em nossas relações com ele. Publicado em: TAVARES, Maria da Consolação G.C.F. (org.) O Dinamismo da Imagem Corporal. São Paulo: Phorte, pp.33-67, 2007.

Êxtase: do ser ao devir. Neste texto investigaremos as transformações por que passa a imagem corporal quando entramos em descompasso com aquilo que era até então vivido como o nosso corpo e entramos em uma relação modulativa e metaestável com um exterior desconhecido. O êxtase, nesta perspectiva, seria aquilo que se coloca entre a destruição de uma imagem corporal e a constituição de outra. Ele pode ter durações variáveis e ter conseqüências muito diversas para quem o experiencia, podendo inclusive ser mantido indefinidamente, controlado ou provocado intencionalmente através de técnicas específicas. Publicado em: TAVARES, Maria da Consolação G.C.F. (org.) O Dinamismo da Imagem Corporal. São Paulo: Phorte, pp.223-42, 2007.

Fotografia, cinema e velocidade. Cinema = fotografia + velocidade. É segundo essa equação que entendemos a idéia, formulada em 1936 por Walter Benjamin, de que o cinema já estava contido virtualmente na fotografia. É dessa relação entre cinema e fotografia, constituída sobretudo pelo encontro da velocidade de uma máquina com os limites de nossa percepção, que trata este texto, escrito em co-autoria com o pesquisador Márcio Barreto (FAC/Unicamp, CTeMe) e publicado no número 93 da Com Ciência: Revista de Jornalismo Científico, 2007.

Que século é este? Resenha de A ilha deserta (São Paulo: Iluminuras, 2006), de Gilles Deleuze, publicada no número 48 da revista Foco: economia e negócios.

2006_________________________________

Xamaquinismos amazônicos. Se houvesse algum sentido em tentar propor uma definição de xamanismo, eu proporia a seguinte: trata-se de um conjunto de técnicas para entrar em contato com outros níveis da realidade, o que quer dizer ver o mundo de perspectivas outras do que aquela habitual, e em especial assumir aquela perspectiva que importa, aquela que faz alguma diferença, ou, nas palavras de Deleuze, “o bom ponto de vista, [...] aquele sem o qual só haveria desordem e mesmo o caos”. Apresentação no seminário Ensaios Amazônicos, organizado por Laymert Garcia dos Santos (IFCH/Unicamp, CTeMe) e Eduardo Viveiros de Castro (PPGAS-UFRJ, NuTI) em conjunto com o Goethe-Institut São Paulo e o Zentrum für Kunst und Medientechnologie (ZKM) Karlsruhe, e realizado no SESC-SP da Avenida Paulista (São Paulo) de 8 a 10 de dezembro de 2006.

Transe maquínico – ou: o que pode uma máquina? Texto publicado no número 8 da revista portuguesa Nada.

Música eletrônica e xamanismo: técnicas contemporâneas do êxtase. Começamos com uma análise das relações entre música eletrônica de pista e xamanismo a partir de um assim chamado discurso nativo e descobrimos que elas se concentram principalmente na produção de uma experiência de transe pela imersão em um ambiente sonoro intenso, repetitivo e técnico. Depois, realizamos uma pesquisa bibliográfica sobre xamanismo indígena e sobre suas relações com a tecnologia moderna, que revelou não apenas a íntima relação entre xamanismo e tecnologia, mas também uma tendência do xamanismo tradicional a se distribuir tecnologicamente em situações de contato entre índios e brancos. Enfim, propomos uma interpretação da música eletrônica de pista como o som de uma máquina e de seu xamanismo como o uso dessa máquina pelo DJ e pelo seu público na produção de estados de transe maquínico. Esboçamos também as linhas gerais de uma metodologia para a verificação dessa proposta em pesquisas futuras. Esta pesquisa se insere num esforço mais amplo de investigar os maquinismos inconscientes que fazem funcionar a máquina capitalista contemporânea. Tese de Doutorado em Ciências Sociais, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 2006.

O analógico e o digital: tecnoestética, micropolítica e fetichismo na música eletrônica. Uma versão mutilada deste texto foi publicada como capítulo do livro Net_cultura 1.0: Digitofagia (São Paulo: Radical Livros, pp.140-9), organizado por Ricardo Rosas e Giseli Vasconcelos.

2005_________________________________

O dentro e o fora. Texto publicado no número 5 da revista portuguesa Nada. Exercício de pensamento em torno do problema dos limites, envolvendo conceitos de diferença, relação e perspectivismo.

Politizar as tecnologias (entrevista a Laymert Garcia dos Santos). Entrevista realizada junto com o grupo de pesquisa CTeMe e publicada no número 5 da revista portuguesa Nada. [VERSÃO PDF]

Demasiadamente pós-humano (entrevista com Laymert Garcia dos Santos). Entrevista realizada junto com o grupo de pesquisa CTeMe e publicada no número 72 do periódico Novos Estudos CEBRAP.

Os xamãs e as máquinas. Artigo publicado no número 2 da revista eletrônica Alegrar. Baseado em pesquisa bibliográfica sobre as relações entre xamãs indígenas e algumas máquinas e objetos técnicos modernos.

Algumas considerações sobre o estudo das relações entre música eletrônica e xamanismo. Texto apresentado na reunião do Núcleo de Transformações Indígenas (NuTI/UFRJ-Museu Nacional) de 14 de outubro de 2005.

2004_________________________________

Código e criação: destilando intuições. Texto escrito em co-autoria com Emerson Freire (IG/Unicamp, CTeMe) e M. Cecilia Diaz-Isenrath (IFCH/Unicamp, CTeMe) e publicado no número 3 da revista portuguesa Nada . [VERSÃO ONLINE]

Código e criação: destilando intuições. Texto escrito em co-autoria com Emerson Freire (IG/Unicamp, CTeMe) e M. Cecilia Diaz-Isenrath (IFCH/Unicamp, CTeMe) e publicado no número 3 da revista eletrônica Multiciência.

Arte, ciência e terrorismo: a produção de conhecimento e o sagrado. Texto publicado no número 56 da Com Ciência: Revista de Jornalismo Científico.

Religião e progresso em Condorcet: gênio, técnica e apocalipse. Artigo publicado no número 23/24 do periódico Temáticas.

Máquinas sociais: o filo maquínico e a Sociologia da Tecnologia. Texto apresentado no evento Arte, tecnociência e política, realizado pelo Grupo de Pesquisa CTeMe no IFCH/Unicamp no dia 25 de outubro de 2004.

“Dilemas da civilização tecnológica”. Resenha do livro Dilemas da civilização tecnológica (Lisboa: Imprensa das Ciências Sociais, 2003), coordenado por Hermínio Martins e José L. Garcia, publicada no número 7 do periódico Ambiente e Sociedade.

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