Ação-rede e reticulação no IFCS/UFRJ


No dia 07/12, às 17:00, buscarei apresentar uma leitura simondoniana da concepcão latouriana de ação-rede. Trata-se, de certa forma, de um encerramento para o meu estágio pós-doutoral junto ao HCTE/UFRJ. A palestra ocorrerá na sala Evaristo de Morais Filho (IFCS/UFRJ). Segue abaixo um pequeno resumo da proposta.

Bruno Latour a partir de Gilbert Simondon: a ação-rede como reticulação
Pedro P. Ferreira
(DS/IFCH/Unicamp; pós-doutorando no HCTE/UFRJ)

Como já foi notado (cf. Hui 2013; Illiadis 2013), Gilbert Simondon frequenta os textos de Bruno Latour como um bom exemplo, ou caso exemplar, de atenção à riqueza e complexidade sócio-antropológica da técnica, ou mais precisamente, ao “modo de existência dos objetos técnicos” (e.g.: Latour 1988:31; 1995:8; 1999:1; 2000:53; 2007:141; 2008:361; 2010:15-6, 23-4; 2011:307-8; 2013:208-9, 211-2, 223-4). Localizando Simondon “na mesma vizinhança do pragmatismo de James e da filosofia especulativa de Whitehead”, numa “tradição que parece jogar luz em preposições definidas como modos de existência”, Latour (2010:5) destaca o fato de ele propor uma genética “largamente mítica” na qual a técnica aparece como um modo de existência entre muitos outros, em especial os “modos” mágico e religioso. Mas eis que, apesar disso, para Latour:

“Simondon permanece um pensador clássico, obcecado que é pela unidade original e pela unidade futura, deduzindo seus modos uns dos outros, de uma maneira que chega a lembrar Hegel. Ele contou até sete apenas para retornar, no final das contas, ao um… O multirealismo não seria, no fundo, mais que um longo desvio para retornar à filosofia do ser, o sétimo dos modos que ele esboçou.” (Latour 2011:308)

Esta apresentação buscará questionar todas estas afirmações por meio de um sobrevoo pela concepção simondoniana de “reticulação” (em Simondon 2005, 2006, 2008, 2010, 2014), muito mais próxima da noção latouriana de ação-rede do que este jamais admitiu.

Referências
HUI, Yuk. 2013. Lecture: on Latour and Simondon’s Mode of Existence. Digital: Objects and Milieux. http://digitalmilieu.net/?p=289.

ILIADIS, Andrew. 2013. Latour on Simondon: an inquiry into modes of existence. Ethics & Philosophy of Information. https://philosophyofinformationandcommunication.wordpress.com/2013/09/22/latour-on-simondon-an-inquiry-into-modes-of-existence/.

LATOUR, Bruno. 1988. The Prince for machines as well as for machinations. In: Brian Elliott. (Ed.). Technology and Social Change. Edinburgh: Edinburgh University Press, pp. 20-43.
__________. 1995. Gaston, a little known successor of Daedalus. Bruno Latour. http://www.bruno-latour.fr/sites/default/files/P-52-GASTON-GB.pdf.
__________. 1999. L’impossible métier de l’innovation technique. Bruno Latour. http://www.bruno-latour.fr/sites/default/files/P-92-PROTEE.pdf.
__________. 2000. La fin des moyens. Réseaux 100(18):39-58.
__________. 2007. Can we get our materialism back please? Isis 98:138-42.
__________. 2008. Per un’etnografia dei moderni: intervista a Bruno Latour. Etnografia e Ricerca Qualitativa 3:347-67.
__________. 2010. Prendre le pli des techniques. Réseaux 163:14-31.
__________. 2011. Reflections on Etienne Souriau’s Les differents modes d’existence. In: Levy Bryant; Nick Srnicek; Graham Harman (Eds.). The speculative turn: continental materialism and realism. Melbourne: Re.press, pp. 304-33.
__________. 2013. An inquiry into modes of existence: an anthropology of the moderns. Cambridge: Harvard University Press.

SIMONDON, Gilbert. 2005. L’individuation à la lumière des notions de forme et d’information. [ILFI] Grenoble: Éditions Jérôme Millon. [1958]
__________. 2006. Mentalité technique. Revue Philosophique 131(3):343-57. [1961]
__________. 2008. Du mode d’existence des objets techniques. [MEOT] Paris: Aubier. [1958]
__________. 2010. Comunication et information: cours et conférences. Chatou: Les Éditions de la Transparence.
__________. 2014. Sur la technique (1953-1983). Paris, Presses Universitaires de France.

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Antropocentrismo na VI ReACT?

Está aberto o período de submissão de trabalhos para os seminários temáticos da VI Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia. A data limite para a submissão de resumos é 15 de dezembro de 2016. Os resumos devem ser submetidos através do link goo.gl/bMuZG2. Segue abaixo a proposta de seminário temático que propus junto com Daniela Manica:

ST6: Antropologia e antropocentrismo: debates, desafios e perspectivas
Coordenadores: Daniela T. Manica (UFRJ), Pedro P. Ferreira (UNICAMP)
Resumo: Em que se reconheceria uma “antropologia não antropocêntrica”? Seria o caso de generalizar a agência de tipo humano, transformando o humano em “toda uma outra coisa”, como ocorre no perspectivismo ameríndio? Seria o caso de obliterar toda especificidade humana a priori, como propõe a teoria ator-rede? Existem outras saídas possíveis do antropocentrismo sendo exploradas pela antropologia? E qual o efeito disso para a disciplina? […] Acolheremos propostas de trabalhos que enfrentem esse desafio de uma perspectiva conceitual, a partir de reflexões teóricas e/ou pesquisas empíricas em interface com outras formas de conhecimento: minoritárias e tradicionais, ou das ciências naturais, biológicas e biomédicas. Serão bem-vindas temáticas sobre ambientes e ecologias, materialidades, animalidades, corporalidades e tecnociências.
Palavras-chave: antropologia, antropocentrismo, humano

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skatosofia no Museu Nacional


Este vídeo é uma sequência de partes de outros vídeos nos quais Mark Gonzales aparece andando de skate, ao som da leitura de trechos de Mil Platôs, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. É uma homenagem minha ao skate daquele e à filosofia destes.

O “experimento de skatosofia” consiste na exploração dos efeitos gerados por essa composição.

Este vídeo foi feito como parte de minha apresentação na reunião “Sextas na Quinta” de 14/10/2016, do Núcleo de Antropologia Simétrica (NAnSi), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Museu Nacional/UFRJ).

Todos os vídeos usados e todos os trechos lidos são listados ao final do vídeo

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Por uma antropologia não antropocêntrica

Participo das Reuniões de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (ReACTs) desde a sua segunda edição, na FAFICH/UFMG (Belo Horizonte-MG), em 2009, quando apresentei uma pesquisa preliminar sobre a agência do câmbio do carro. Em 2011 participei da III ReACT, na UnB (Brasília-DF), apresentando o início de uma pesquisa que continuo desenvolvendo até hoje, sobre a reticulação do meio urbano pelo skate. Em 2013 organizei, junto com Daniela Manica (UFRJ) e Marko Monteiro (Unicamp), a IV ReACT, no IFCH/Unicamp (Campinas-SP). Em 2015 participei da V ReACT, realizada na UFRGS (Porto Alegre-RS), com uma fala sobre a especificidade dos “objetos científicos”. Agora estamos caminhando rumo à VI ReACT, que será realizada entre os dias 16 e 19 de maio de 2017 na USP (São Paulo-SP). Ainda não sei como participarei dessa reunião, mas certamente estarei lá.
Informações sobre as ReACTs anteriores podem ser encontradas no site da Rede de Antropologia da Ciência e da Tecnologia. Sobre a próxima edição, melhor visitar o seu site específico, onde também estão sendo realizadas as submissões de trabalho. Segue abaixo o inspirado mote da reunião:

null“Coevoluções, codependências, co-respondências. Enredamentos e emaranhamentos. Cruzamentos simbióticos e fazimentos recíprocos desde a origem. Pensar-agir por fragilidade e hesitação, aprender por incertezas, morar no perigo. Realinhar alianças. Mas outros outros: plantas e animais, terras e atmosferas, rios e oceanos, técnicas e objetos. E humanos que nunca foram senão humanos-no-cosmos. Outros pactos e alianças. Redistribuir a palavra, pensar o pensamento: o mundo sob insuspeitado concerto. ”A ciência vencerá”, diz o antigo brasão. Mas quem mesmo será vencido? – pergunta que urgentemente se renova. Ecologia e política instaladas ali ”onde os anjos temem pisar”. Como agora saber viver-entre? Como entre-morrer?

Acorçoar-se, reagir. Pós-disciplinar praticante, a VI ReACT quer seguir valendo-se da (in)vocação da dúvida, abrir-se para aquém e além da antropologia que tão mal descansa em sua originalmente obsoleta unidade de análise. Mas outras pertinências, participações, pertencimentos. Outros possíveis, outros nós. Por uma antropologia não antropocêntrica. Entre-reagiremos.”

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Ritmologia no Museu Nacional (UFRJ)

O encontro Pele sobre Pele: miradas etnográficas sobre pessoas, tambores e outros toques (Seminário do LAH) aconteceu no Museu Nacional (UFRJ) nos dias 30/06 e 01/07, e no Palácio Capanema (Ocupa BaTuque – Treme Temer ao Som do Tambor!) no dia 02/07/2016. Veja a descrição oficial do evento:

O encontro pretende refletir sobre relações, práticas e afetos entre pessoas e artefatos musicais, em particular os percussivos (sejam eles acústicos, eletrônicos ou digitais). Refletindo a partir de material de pesquisas recém realizadas ou em andamento, os participantes convidados discutirão os sentidos conferidos à produção de sons, aos conhecimentos e afetos produzidos por meio de práticas musicais. O seminário pretende contribuir com leituras e escutas etnográficas das diferentes modalidades de envolvimento de pessoas e coletivos na criação de linguagens e conhecimentos sonoros, com atenção à maneira pela qual todos estes facultam o acesso e encontro com outros mundos, seres e tempos. O material etnográfico apresentado pelos participantes – por meio de exposições orais, audiovisuais e/ou musicais – explorará temas tais como o da articulação entre a feitura de instrumentos e a composição da pessoa e coletivos; o domínio, a maestria e o controle da(s) sonoridade(s) produzida(s) em performances públicas e rituais; os afetos humanos e não-humanos que participam de práticas designadas musicais e da confecção de instrumentos; as relações entre artefatos materiais e corpos, suas associações com gênero, raça, parentesco e sexualidade; a criação de temporalidades, espacialidades e modos de existência associados às intensidades, à duração e à reprodução sonora.

Minha apresentação no encontro ocorreu no dia 20/06/2016, às 14h, na Lygia Sigaud. Seguem o resumo e o vídeo de minha apresentação, intitulada “No embalo da rede: ritmo e reticulação”:

Ritmos são notoriamente centrais e ubíquos nas ciências naturais e sociais (ritmos do mundo físico, do mundo químico e da vida individual e coletiva). No entanto, via de regra, eles são confundidos com uma métrica ou frequência simples. Com o objetivo de contribuir para o avanço de nossa compreensão dos fenômenos rítmicos, proponho aqui uma concepção reticular de ritmo, baseada na ideia de uma compatibilização-sincronização-associação entre frequências de diferentes movimentos, uma configuração relacional de oscilações reiterada por meio de suas próprias variações. Segundo essa concepção, o ritmo é uma rede espaço-temporal que conecta pontos privilegiados no tempo e no espaço, i.e., lugares e momentos que favorecem a ação de quem age a partir deles. Esta concepção reticular de ritmo resulta do encontro de uma pesquisa empírica em torno da relação som-movimento na Música Eletrônica de Pista com a ideia de reticulação desenvolvida por Bruno Latour e Gilbert Simondon. Deixar-se levar pelo som é cair no embalo da rede, fazendo do próprio corpo um adensamento ativo de relações entre sons e movimentos.

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O xamanismo na era de sua reprodutibilidade técnica


Xapiri é um filme experimental sobre o xamanismo yanomami, que nasceu em resposta a um desejo do líder e xamã Davi Kopenawa: realizar um encontro de xamãs de todo o território yanomami localizado no Brasil, com vistas ao fortalecimento da preservação e da continuidade da cultura tradicional desse povo indígena. O filme foi realizado por ocasião de dois encontros de xamãs de todo o território dessa etnia, na aldeia de Watoriki, Amazonas, em março de 2011 e março de 2012. O filme foi concebido de modo a levar em conta duas noções diferentes de imagem: a dos yanomami e a nossa. Não se trata, pois, de explicar o xamanismo, seus métodos ou procedimentos, mas de tornar visível e sensível, para públicos de culturas diferentes, o modo segundo o qual os xamãs “incorporam” os espíritos, seus corpos e suas vozes.

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Contributions of Gilbert Simondon to Science and Technology Studies (T075 – 4S/EASST CONFERENCE BCN-2016)

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Estão abertas as inscrições de trabalhos no GT “Contributions of Gilbert Simondon to Science and Technology Studies” (T075) da próxima 4S/EASST CONFERENCE, que ocorrerá em Barcelona (Espanha) entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2016. Este GT, coordenado por Pedro Ferreira (Unicamp) e Carlos Sautchuk (UnB), buscará promover colaborações entre pesquisadores que tenham em comum algum engajamento consistente com os conceitos e as ideias de Gilbert Simondon. O prazo para a inscrição de trabalho se encerra no dia 21 de fevereiro de 2016. Mais informações em: http://www.nomadit.co.uk/easst/easst_4s2016/panels.php5?PanelID=3987

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