Ritmologia no Museu Nacional (UFRJ)

O encontro Pele sobre Pele: miradas etnográficas sobre pessoas, tambores e outros toques (Seminário do LAH) aconteceu no Museu Nacional (UFRJ) nos dias 30/06 e 01/07, e no Palácio Capanema (Ocupa BaTuque – Treme Temer ao Som do Tambor!) no dia 02/07/2016. Veja a descrição oficial do evento:

O encontro pretende refletir sobre relações, práticas e afetos entre pessoas e artefatos musicais, em particular os percussivos (sejam eles acústicos, eletrônicos ou digitais). Refletindo a partir de material de pesquisas recém realizadas ou em andamento, os participantes convidados discutirão os sentidos conferidos à produção de sons, aos conhecimentos e afetos produzidos por meio de práticas musicais. O seminário pretende contribuir com leituras e escutas etnográficas das diferentes modalidades de envolvimento de pessoas e coletivos na criação de linguagens e conhecimentos sonoros, com atenção à maneira pela qual todos estes facultam o acesso e encontro com outros mundos, seres e tempos. O material etnográfico apresentado pelos participantes – por meio de exposições orais, audiovisuais e/ou musicais – explorará temas tais como o da articulação entre a feitura de instrumentos e a composição da pessoa e coletivos; o domínio, a maestria e o controle da(s) sonoridade(s) produzida(s) em performances públicas e rituais; os afetos humanos e não-humanos que participam de práticas designadas musicais e da confecção de instrumentos; as relações entre artefatos materiais e corpos, suas associações com gênero, raça, parentesco e sexualidade; a criação de temporalidades, espacialidades e modos de existência associados às intensidades, à duração e à reprodução sonora.

Minha apresentação no encontro ocorreu no dia 20/06/2016, às 14h, na Lygia Sigaud. Seguem o resumo e o vídeo de minha apresentação, intitulada “No embalo da rede: ritmo e reticulação”:

Ritmos são notoriamente centrais e ubíquos nas ciências naturais e sociais (ritmos do mundo físico, do mundo químico e da vida individual e coletiva). No entanto, via de regra, eles são confundidos com uma métrica ou frequência simples. Com o objetivo de contribuir para o avanço de nossa compreensão dos fenômenos rítmicos, proponho aqui uma concepção reticular de ritmo, baseada na ideia de uma compatibilização-sincronização-associação entre frequências de diferentes movimentos, uma configuração relacional de oscilações reiterada por meio de suas próprias variações. Segundo essa concepção, o ritmo é uma rede espaço-temporal que conecta pontos privilegiados no tempo e no espaço, i.e., lugares e momentos que favorecem a ação de quem age a partir deles. Esta concepção reticular de ritmo resulta do encontro de uma pesquisa empírica em torno da relação som-movimento na Música Eletrônica de Pista com a ideia de reticulação desenvolvida por Bruno Latour e Gilbert Simondon. Deixar-se levar pelo som é cair no embalo da rede, fazendo do próprio corpo um adensamento ativo de relações entre sons e movimentos.

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