Anatomia de uma inteligência artificial


A revista eletrônica de jornalismo científico ComCiência publicou recentemente a tradução que fiz, junto com a Cristiana Gonzalez, do texto-mapa Anatomy of an AI system, de Kate Crawford e Vladan Joler. O texto-mapa é um trabalho incrível, e nós caprichamos na tradução, para que ele esteja acessível também em português. A tradução contou também com a colaboração de Pedro Paulino, a quem agradeço. Trata-se de mais um fruto da pesquisa coletiva “A agência social dos elementos químicos“. Segue abaixo um trechinho do texto de apresentação que a Cris me ajudou a escrever.

Se um mapa deve nos permitir uma ação mais potente e eficaz sobre o território cartografado, então podemos dizer que o mapa de Crawford e Joler permite, sim, que qualquer um de nós se localize, e consiga começar a projetar uma ação eficaz, como usuário de sistemas de IA, no território do infocapitalismo contemporâneo. Também nos permite estabelecer conexões com o que não foi diretamente explicitado por Crawford e Joler neste texto-mapa, como os efeitos de racialização e a sexualização dos sistemas automatizados – efeitos esses materializados, por exemplo, na voz feminina da Alexa. O mapa anatômico é, acima de tudo, um convite para reanimar e reimaginar as tecnologias ligadas à IA, evidenciando o fato de que não são exatamente nem “inteligentes” – pois não operam automaticamente, antes dependendo de trabalho humano -, e nem “artificiais” – pois participam ativamente da crescente exploração dos recursos naturais de nosso planeta. Mostrando, enfim, que, mais do que soluções inocentes para problemas banais do dia-a-dia, tais dispositivos são responsáveis por parte importante de nossos problemas socioambientais atuais, e nada banais.” (Gonzalez e Ferreira 2020)

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