Tópicos Especiais em Sociologia XVIII: exercícios em sociologia da ação-rede

Instituição: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Curso: Graduação em Ciências Sociais (44).
Ano letivo: 2014.
Período: 2º.
Disciplina: HZ353-B – Tópicos Especiais em Sociologia XVIII: exercícios em sociologia da ação-rede.
Dia/horário/local: Terça-feira das 19h às 23h – Sala IH06.
Carga horária total: 60h.
Créditos: 4.
Monitoria:
Rafael da Silva Malhão (PED C)
Laura Luedy (PED C)

PROGRAMA
O problema da relação indivíduo/sociedade (também nas suas versões agência/estrutura ou liberdade/determinação) é certamente um dos primeiros e mais fundamentais das Ciências Sociais em geral. Podemos, grosso modo, localizar qualquer cientista social em algum lugar entre as propostas microssociológicas (e.g.: o interacionismo simbólico) e macrossociológicas (e.g.: o estrutural-funcionalismo), dependendo da prevalência atribuída, seja às interações e negociações locais entre os agentes, seja às determinações sistêmicas e estruturais da ação individual. Alguns sociólogos se destacaram ao longo do século XX por proporem alternativas a este dilema, com destaque para a “sociologia figuracional” de Norbert Elias, a “teoria da estruturação” de Anthony Giddens e a “praxeologia” de Pierre Bourdieu. Esta disciplina propõe debater, mas também exercitar na prática, uma proposta que, apesar de sua menor penetração nas ciências sociais em geral (exceto de maneira estereotipada e negativa), se distingue das demais tanto por seus pressupostos quanto por seus efeitos. Trata-se da Teoria Ator-Rede (TAR), na forma como foi originalmente formulada ao longo dos anos 1980, principalmente por Michel Callon, John Law e Bruno Latour. Tal proposta se distingue de imediato das outras mencionadas tanto pela atenção dedicada aos não-humanos quanto pela simetria estabelecida entre as diferentes ciências (tradicionalmente separadas entre “humanas”, “naturais”, “exatas”, ou outros termos ainda). O exercício proposto nesta disciplina envolverá o debate, em sala de aula, de um conjunto de leituras, paralelamente ao desenvolvimento de estudos de caso que coloquem à prova as proposições trabalhadas a partir da literatura. O objetivo da disciplina será a familiarização inicial do aluno, de uma perspectiva tanto teórica quanto prática, com o conceito de ação-rede que fundamenta a TAR.

PLANO DE DESENVOLVIMENTO
A disciplina será dividida em três momentos principais. Num primeiro momento, debateremos algumas leituras de Elias, Giddens, Bourdieu e de pesquisadores ligados à TAR (Callon, Law e Latour), com o objetivo de avaliar, em linhas gerais, as especificidades de suas diferentes propostas para lidar com a relação indivíduo/sociedade. Ainda nesta primeira parte da disciplina, os alunos definirão os estudos de caso que comporão o principal item de avaliação da disciplina.

Num segundo momento, aprofundaremos algumas leituras ligadas à TAR, em especial de estudos de caso que possam servir como referência para o exercício proposto aos alunos. O principal objetivo desta segunda parte da disciplina será a familiarização dos alunos com as duas principais dificuldades que a TAR oferece para cientistas sociais já habituados a entender seu objeto como sendo “o ser humano” ou “a sociedade”: a evidência de que a sociedade não é composta apenas por seres humanos; e, como consequência desta evidência, o fato de que as ciências sociais, enquanto ciências, envolvem práticas e objetivos análogos aos de qualquer ciência (i.e., a laboriosa construção de fatos).

Num terceiro momento, trabalharemos sobretudo em cima dos estudos de caso, debatendo leituras (ainda não definidas) pertinentes aos casos sob análise. O objetivo desta última parte da disciplina será a solução de problemas diretamente ligados aos estudos de caso, uma vez que, da perspectiva da TAR, a produção de conhecimento em qualquer ciência depende, principalmente, do estabelecimento de uma relação metodologicamente mediada com um objeto, capaz de desempenhar algum tipo de estabilidade em sua agência (i.e., adensar sua reticulação).

AVALIAÇÃO
A média final de cada aluno será definida por três itens de avaliação:

1-presença em sala de aula: registro em lista de presença (ver seção “SOBRE FALTAS” abaixo).
2-participação em sala de aula: contribuições aos debates.
3-trabalho final: texto individual.

A média final de cada estudante corresponderá à sua nota no trabalho final(3) que poderá, ou não, ser aumentada (nunca diminuída) em função de sua participação (2) e presença (1) em sala de aula.

SOBRE O TRABALHO FINAL: A data limite para entrega do trabalho final é 23/12. Estudantes podem entregar o trabalho antes desta data se preferirem. O trabalho final deverá ser submetido via Ensino Aberto para o professor e para os dois PEDS (Laura e Rafael); favor atentar para os formatos de arquivo solicitados no item 4, abaixo. A nota do trabalho final poderá variar de zero a dez e será definida considerando os seguintes critérios:
(1) uso correto da linguagem escrita acadêmica.
(2) nível de aprofundamento adequado ao tratamento do tema proposto – i.e.: algum esforço evidente para aproveitar as leituras e os debates realizados.
(3) pertinência do tema – i.e: alguma relação consistente com o tema da disciplina e com a definição do estudo de caso feita em conjunto com o professor.
(4) adequação formal – i.e.: texto em formato “.doc”, “.odt” ou “.pdf” com: título; data; identificação do autor (nome e RA); identificação da disciplina/turma em que o autor está matriculado; e no mínimo 30 mil caracteres (com espaço) de texto (a avaliação pode ter mais do que 30 mil caracteres).

EXAME: Caso algum aluno não obtenha média final suficiente para aprovação, poderá solicitar um exame para tentar melhorar sua nota.

SOBRE PLÁGIO: Plágio consiste na cópia de texto escrito por outrem sem citar a fonte original. A realização de plágio (total ou parcial) por parte do aluno em qualquer avaliação resultará na obtenção de nota zero.

SOBRE FALTAS: Seguindo a regulação da DAC, será reprovado o aluno que exceder o limite máximo de 4 faltas (25% da carga horária). A presença em sala de aula será registrada pelo próprio aluno (com nome e RA) em lista disponibilizada durante cada aula. A não assinatura da lista em qualquer aula resultará no registro de falta. A assinatura por outra pessoa que não o próprio aluno resultará em falta. Cabe ao aluno certificar-se de que assinou a lista de presença em todas as aulas presenciadas. Só serão abonadas faltas justificadas diretamente ao professor responsável e com apresentação de documentação comprobatória ou atestado.

BIBLIOGRAFIA

BOURDIEU, Pierre.

    2003.Algumas propriedades dos campos. In: Questões de Sociologia. Lisboa: Fim de século – Edições, pp.119-25. [1984]

BRESLAU, Daniel.

    2000. Sociology after Humanism: a lesson from contemporary Science Studies. Sociological Theory 18(2):289-307.

CALLON, Michel; LATOUR, Bruno.

CALLON, Michel; LAW, John.

DURKHEIM, Émile.

    1995. As regras do método sociológico. (Trad. Paulo Neves) São Paulo: Martins Fontes. [1895]

ELIAS, Norbert.

    1980. Os pronomes pessoais como modelos figuracionais. In: Introdução à Sociologia. (Trad. Maria L.R. Ferreira) Lisboa: Edições 70, pp.133-9. [1970]

GIDDENS, Anthony.

    1984. The constitution of society: outline of the theory of structuration. Berkeley: University of California Press.

HENNION, Antoine.

    2007. Those things that hold us together: taste and Sociology. Cultural Sociology 1(1):97-114.

HERITAGE, John C.

    1999. Etnometodologia. In: Anthony Giddens; Jonathan Turner (orgs.). Teoria Social Hoje. (Trad. Gilson C. Cardoso de sousa) São Paulo: Editora Unesp, pp.321-92. [1987]

JOAS, Hans.

    1999. Interacionismo simbólico. In: Anthony Giddens; Jonathan Turner (orgs.). Teoria Social Hoje. (Trad. Gilson C. Cardoso de sousa) São Paulo: Editora Unesp, pp.127-74. [1987]

LATOUR, Bruno.

    1986. The powers of association. In: John Law (ed.). Power, action and belief: a new Sociology of Knowledge? London: Routledge; Kegan Paul, pp.264-80.
    2004. The social as association. In: Nicholas Gane. The future of Social Theory. London: Continuum, pp.77-90.

STRUM, Shirley S.; LATOUR, Bruno.

LATOUR, Bruno; WOOLGAR, Steve.

MARX, Karl.

PETROVIC, Gajo.

    2001. Práxis. In: Tom Bottomore (Ed.). Dicionário do Pensamento Marxista. (Trad. Waltensir Dutra) Rio de Janeiro: Zahar, pp.292-6. [1983]

TEIL, Geneviéve; LATOUR, Bruno.

WEBER. Max.

    2004. Conceitos sociológicos fundamentais. In: Economia e sociedade: fundamentos da Sociologia compreensiva. Vol.1. (Trad.Regis Barbosa e Karen E. Barbosa) São Paulo: Editora UnB/Imprensa Oficial, pp.3-35. [1921]

MATERIAL PARA ESTUDOS DE CASO
Material sugerido por Bianca: NINJA01; NINJA02; NINJA03; NINJA04.
Material sugerido por Felipe: BANHEIRO01; BANHEIRO02.
Material sugerido por Livan: DIABO01
Material sugerido por Luana: CIBER01; CIBER02.
Material sugerido por Pedro Spigolon: PIXO01.
Material sugerido por Sophia: FOTOGRAFIA01; FOTOGRAFIA02.
Material sugerido por Talitha: TECNOEMOCIONAL01; TECNOEMOCIONAL02; TECNOEMOCIONAL03; TECNOEMOCIONAL04.
Material sugerido por Vitória: HGPE01; HGPE02; HGPE03.

CRONOGRAMA

Aula 01 – Dia 02/09: Apresentação geral da disciplina.

Aula 02 – Dia 16/09: O conceito de “ação” nos clássicos: Durkheim, Marx, Weber. Leituras sugeridas: Durkheim (1995); Marx (1845); Petrovic (2001); Weber (2004).

Aula 03 – Dia 23/09: Sociologia norte-americana e teoria da estruturação: Parsons, Garfinkel e Giddens. Leituras sugeridas: Primeiro capítulo de Giddens (1984); Heritage (1999); Joas (1999)

Aula 04 – Dia 30/09: As sociologias de Norbert Elias e de Pierre Bourdieu. Aula ministrada por Laura Luedy (PED C). Leituras sugeridas: Bourdieu (2003); Elias (1980).

Aula 05 – Dia 07/10: Ação-rede na prática científica. Leitura sugerida: Segundo capítulo de Latour e Woolgar (1997). Na primeira parte da aula haverá apresentação de um estudo de caso por Thaís Capovilla.

Aula 06 – Dia 14/10: As centrais de cálculo na ação-rede. Aula ministrada por Rafael da Silva Malhão (PED C). Leitura sugerida: Latour (2004). Na primeira parte da aula haverá apresentação de um estudo de caso por Rafael Malhão.

Aula 07 – Dia 21/10: Inscrição, descrição, prescrição, subscrição, transcrição, ascrição, circunscrição, proscrição etc.: o script e a ação-rede. Leitura sugerida: Latour (1992). Na primeira parte da aula haverá apresentação de um estudo de caso por Rodrigo F. Sega.

Aula 08 – Dia 28/10: Feituras e fraturas. Leitura sugerida: Latour (1999). Na primeira parte da aula haverá apresentação de um estudo de caso por Raphael Silveiras.

Aula 09 – Dia 04/11: TAR: revisão. Na primeira parte da aula haverá apresentação de um estudo de caso por Bruna L. Bumachar.

Aula 10 – Dia 11/11: Discussão do capítulo 4 de Latour (1994) e conversas individuais sobre estudos de caso.

Aula 11 – Dia 18/11: Debates em torno dos estudos de caso.

Aula 12 – Dia 25/11: Debates em torno dos estudos de caso.

Aula 13 – Dia 02/12: Debates em torno dos estudos de caso.

Aula 14 – Dia 09/12: Debates em torno dos estudos de caso.

Aula 15 – Dia 16/12: Debates em torno dos estudos de caso.

Trabalho Final – Dia 23/12: Entrega do trabalho final pelo Ensino Aberto (IMPORTANTE: favor verificar acima, na seção “AVALIAÇÃO”, as instruções para o formato e envio do trabalho, assim como os critérios de avaliação).

05 a 21/01/2015 – Prazo para entrada de Médias e Frequências do 2º período letivo de 2014.

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